domingo, 30 de dezembro de 2012

O agonizante fim de um dos piores governos.

Faltando pouco mais de um dia para terminar o pesadelo que foi o governo Kassab para grande parte da população de São Paulo, milhares de pessoas e movimentos sociais aguardam ansiosos o inicio do novo governo , para ver as promessas de campanha do prefeito eleito serem cumpridas.

Kassab como recente pesquisa apontou, foi o pior prefeito de São Paulo ficando atrás apenas de Celso Pitta, mas como todos sabem Pitta foi apenas um bode expiatório de Maluf e foi cassado pela imprensa num todo, por isso teve tanta rejeição no final do mandato, ao contrario de Kassab que tem o domínio de boa parte da mídia como a Veja e a Globo, portanto não resta duvida ele foi o pior prefeito , mais rejeitado da história e um dos piores administradores do País.

Seu governo foi marcado por mentiras ,acordões , especulação imobiliária selvagem, desrespeito aos direitos humanos e a cidadania , centralização de poderes ,além de episódios de corrupção de sua equipe de governo.
Apesar do fim de seu governo, ele continua a ser uma ameaça a todos, pois mantem ainda uma tropa de choque de vereadores Serviçais Na câmara municipal que vão continuar a defender seus interesses e de seus amigos empreiteiros a todo custo.

No caso da Operação urbana  Agua espraiada, ele desesperadamente inaugurou há poucos dias atrás a obra devido ao temor das promessas do prefeito eleito Fernando Haddad de rever o projeto do atual governo, tentando assim deixar a obra amarrada para o próximo prefeito ,não poder alterá-la.
Sabemos que é perfeitamente possível alterar o projeto, mesmo através da lei de licitações e esperamos que o Prefeito eleito e sua equipe de governo  cumpram suas promessas reduzindo imensamente o custo dessa obra.

Abaixo segue copiado matéria veiculada na folha de São Paulo durante a campanha eleitoral desse ano.

07/05/2012 - 20h01

Haddad promete rever mais um projeto de Kassab


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PAULO GAMA
DE SÃO PAULO

O pré-candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, afirmou nesta segunda-feira (7) que vai rever o traçado do túnel planejado pela gestão de Gilberto Kassab (PSD) para prolongar a avenida Jornalista Roberto Marinho até a rodovia dos Imigrantes.

Esse é o segundo grande projeto de Kassab que o petista promete rever. No mês passado, ele contestou o projeto da Nova Luz, de reurbanização da região central da capital. "A raiz é a mesma [desse problema e da Nova Luz], é falta de diálogo com a comunidade", afirmou a moradores do Jabaquara, na zona sul, região afetada pela obra.

Denis Oliveira-28.abr.2012/Brazil Photo Press
O pré-candidato à Prefeitura de São Paulo Fernando Haddad
O pré-candidato à Prefeitura de São Paulo Fernando Haddad

A obra do túnel, que inicialmente tinha 400 metros, agora terá 2.350 metros. Foi aprovada pela Câmara em julho do ano passado, dentro da operação urbana Água Espraiada.

"Foi tomada uma decisão incompreensível, estenderam o túnel e ele afeta mais pessoas. A decisão é tecnicamente contestável, encareceu o projeto. Nós vamos rever o traçado do túnel e baratear essa obra."

Segundo Haddad, os custos adicionais para a ampliação são próximos de R$ 2 bilhões, o que seria suficiente para acabar com o deficit de vagas em creches na cidade. "Os interesses por trás disso não estão claros e pode ser que não sejam técnicos", afirmou.

A construção do túnel tem forte rejeição de parte da população local.

Reportagem da Folha de abril relatou que Kassab lançou a maior negociação de títulos públicos de sua gestão para levantar ao menos R$ 1,5 bilhão para o operação da qual o túnel faz parte.

A negociação coloca no mercado 1,7 milhão de Cepacs, títulos do município usados para captar dinheiro com o setor imobiliário e aplicá-lo em projetos destinados a transformar uma área da cidade.

ALIANÇAS

Haddad disse também que sempre considerou "improvável" a existência de uma terceira força composta pelos adversários Gabriel Chalita (PMDB), Celso Russomanno (PRB) e Netinho de Paula (PC do B) na disputa municipal. Mais cedo nesta segunda, Russomanno havia anunciado que a tentativa de acordo havia sido frustrada.

"Sempre considerei improvável que fosse acontecer, é muito difícil reunir uma terceira força nos moldes que estava sendo proposta", afirmou.

Ainda sobre a composição de sua chapa, afirmou que o partido "nunca esteve tão próximo" de um acordo com o PC do B. "Temos uma boa interlocução com todos esses partidos, e vamos mantê-la, senão para o primeiro, para o segundo turno."

Defendeu também que o PT deixe de ter candidaturas próprias em algumas cidades em favor de partidos da base aliada. "Se pudermos eleger um companheiro do PSB em uma cidade em que ele tem vantagens, em proveito de um projeto que respeite nossos princípios, não tem por que não fazer."

O link   http://www1.folha.uol.com.br/poder/1086897-haddad-promete-rever-mais-um-projeto-de-kassab.shtml


Túnel Jabaquara: Haddad disse que vai rever projeto da obra

Seg, 07 de Maio de 2012 18:35
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Fernando Haddad, conversou com moradores que serão afetados pelo túnel de aproximadamente 2 km que a prefeitura planeja fazer ligando a Avenida Roberto Marinho com a Rodovia dos Imigrantes.
A obra faz parte da operação urbana Água Espraiada, aprovada no governo Marta Suplicy.
A gestão Kassab mudou a lei para construir um túnel maior do que o previsto no projeto original, o que forçará a remoção de centenas de famílias que moram há anos na área afetada. O custo da obra é de aproximadamente R$ 3 bilhões. No início do projeto, o empreendimento estava orçado em R$ 1 bilhão.
“O aumento do tamanho do túnel é inexplicável. Eu pretendo rever o projeto e diminuir o custo dessa obra”, afirmou Haddad.
Fernando Haddad visita nesta segunda-feira à região da subprefeitura do Jabaquara.
Durante almoço hoje (07) com Fernando Haddad, empresários do Jabaquara queixaram-se da falta de apoio da prefeitura de São Paulo. Segundos eles, a prefeitura não oferece incentivos para a ampliação e desenvolvimento do comércio da região, que tem grande potencial de crescimento.
Haddad visitou também a comunidade Cidade Azul, onde está sendo tocado um projeto de urbanização e construção de moradias que beneficiará 1031 famílias. Ele percorreu ainda o corredor comercial da Avenida Santa Catarina e esteve no centro de Defesa os Direitos Humanos Frei Tito Alencar e passou pelo terminal Jabaquara, que é uma referência, mas enfrenta problemas no escoamento do trânsito na região.
A visita terminou com a plenária Conversando com São Paulo que reuniu comerciantes, militantes e lideranças comunitárias que debateram com Haddad os problemas da região e apontaram sugestões para o seu programa de governo.

O link.  http://www.dmptsp.org.br/news/2059-tunel-jabaquara-haddad-disse-que-vai-rever-projeto-da-obra.html


 


terça-feira, 30 de outubro de 2012

A vitória de Haddad e o ressurgimento da esperança.

Antes de ontem, tivemos a confirmação da derrota do candidato do Prefeito Kassab nas urnas conforme as pesquisas mostravam desde o fim do primeiro turno.

Uma derrota ao nosso ver, essencial para a cidade de São Paulo, depois de 8 anos de uma das piores administrações públicas que a cidade já teve e que graças a Deus está agonizando seus últimos dias.

Fernando Haddad é o nosso novo Prefeito , sim o mesmo Haddad que percorreu todos os bairros da cidade , inclusive o nosso , vendo de perto todos os problemas que o Prefeito Kassab criou para os milhares de cidadãos da cidade e que se comprometeu por diversas vezes, publicamente  em rever ou mesmo eliminar boa parte desses problemas, junto da população.

Com essa vitória , da qual nosso movimento contribuiu em muito , municiando  os opositores do Prefeito Kassab contra o próprio Prefeito ,ajudando a mostrar a verdadeira face dele e do seu governo e de suas trágicas atuações ,  acreditamos ter ganhado um bom fôlego, comparado a situação avessa , caso o candidato Serra tivesse ganhado, pois declarava em bom som que seu governo seria o da continuidade de Kassab , o que seria muito trágico para toda cidade.

É muito bom lembrar , que pela diferença de votos que os dois tiveram ,que foi menor do que as pesquisas mostravam , pesou muito mais na decisão do paulistano à rejeição ao governo Kassab do que própriamente  o apoio de celebridades como Lula ou Marta em São Paulo, pois o Paulistano quer mudanças mesmo, seja  para qualquer rumo diferente de Kassab.

No caso da Operação  Urbana Água Espraiada, a bancada do PT na Câmara Municipal teve vital importância na defesa dos moradores dos bairros atingidos , votando em massa contra a alteração de sua lei original , concebida na gestão de Marta Suplicy , projeto esse realmente voltado à justiça social, que visava reurbanizar o bairro resolvendo o problema de moradia das pessoas de baixa renda , além de fazer a ligação pela própria avenida e protegendo o córrego.

O projeto de Kassab é bem claro , visa encarecer extremamente a obra criando o túnel mais caro e desnecessário da história desse  país , entregando de mão beijada a seus amigos empreiteiros quase todo o valor arrecadado para a operação nesse túnel. O outro objetivo de Kassab é limpar o bairro desses moradores deslocando todos para longe , para dar lugar aos grandes emprendimentos imobiliários que se planejam em volta do parque que ele pretende criar.
É dificil de entender como Serra arriscou tudo, levando a " Mala Kassab" junto para o palanque, explodindo na  cara dele e levando sua carreira e seu partido junto para a "lama" na cidade.     Bem de certa forma isso acabou ajudando,e no fim o Serra mereceu pois deixou essa " chaga" chamada Kassab para aguentarmos todos esses anos.

Algumas vitórias também foram alcançadas na Câmara Municipal, com a eliminação de vários homens de Kassab , como Aguinaldo Timóteo , Cláudio Fonseca ,  Abou Anni , Juscelino Gadelha, dentre outros. Porém muita porcaria continua lá.

Mas também vale destacar , que dos 4 que nos ajudaram muito, todos se reelegeram               ( Donato/ Juliana/ Aurélio Miguel/ Adilson Amadeu)  além de ter sido eleito também o vereador Nabil Bonduki que se posicionou  em audiências públicas contrário a mudança da lei original da Oucae e o Vereador  Toninho Vespoli do PSOL , partido do Deputado Carlos Giannazi, aliado dos moradores e do cidadão.

Sabemos também do perigo que o Prefeito Kassab continuará exercendo sobre a cidade, pois possui a terceira maior bancada ainda na Câmara Municipal , com seu Infâme partido recém criado e os velhos aliados que o apoiaram nessa gestão e usará esse poder para barganhar um espaço na próxima gestão. Desejamos que ele não consiga isso e que caia fora o mais rápido possível e leve toda sua corja de secretários junto e desapareça da gestão pública para sempre, além de desmilitarizar as sub-prefeituras.

Por fim gostariamos de parabenizar o Prefeito Fernado Haddad  e especialmente seu cordenador de campanha Vereador Antonio Donato e desejar que façam um mandato exemplar , pensando e agindo sempre mais em prol dos cidadãos e não de Empreiteiras e outros poderosos, como agiu o Prefeito Kassab.


Ação direta de inconstitucionalidade (ADIN) do PT contra a mudança da lei da OUCAE. 


Vereador Antônio Donato  defende milhares de moradores do Jabaquara e defende projeto original da gestão Marta.




Vereador Donato e bancada PT defendem lei original da OUCAE de Marta  indicam voto contrário a mudança da lei .  







quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Resultado da Reunião e a posição do PT

Bom dia a todos .

Em Reunião realizada esse sábado passado  , dia 20/10 no colégio Liceu Congonhas , foram discutidos diversos assuntos entre os representantes dos moradores da OUCAE , dentre os assuntos o posicionamento dos processos jurídicos movidos pela associação , os rumos dos processos, bem como o posicionamento do grupo em relação ao segundo turno das eleições na cidade.

Ficou unanimamente acertado novamente o apoio ao Candidato do PT Fernando Haddad , que veio até o bairro e se posicionou contrário a respeito da alteração da lei original da OUCAE .

Lógicamente o oposto , o Candidato " Serra/Kassab " é a garantia da realização de todas as vontades do Prefeito Kassab, sem tirar uma virgula, bem como a continuidade dessa que foi uma das piores administrações públicas que a cidade já presenciou.

Para aqueles que ficaram ainda com alguma dúvida a respeito da posição do PT em relação a mudança da lei da Operação Agua Espraiada, anexo abaixo a tela do TJ de São Paulo, que consta a ADIN ( ação direta de inconstitucionalidade) , impetrada pelo PT esse ano contra a nova lei da OUCAE que favorece o Prefeito Kassab e seus amigos empreiteiros.


  

 Sendo assim , nós temos de um lado absolutamente nada de esperança, ao contrário muito "Chumbo Grosso" e do outro lado esperança de mudança do projeto beneficiando principalmente aqueles que realmente sempre esperaram essa operação chegar.

Se Deus quiser , segunda feira que vem, poderemos comemorar ao menos o "troco" dado à Kassab pela população.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Reunião Mensal


Bom dia a todos.

Conforme não houve reunião sábado passado devido ao feriado prolongado, automaticamente esse sábado dia 20 as 15 hs haverá a reunião no mesmo local o colégio Liceu Congonhas situado a rua Simões Pinto , 255 Jardim Aeroporto.

Na Reunião , além de assuntos jurídicos  abordados mensalmente , discutiremos a posição do grupo em relação ao necessário apoio que devemos dar ao candidato "avesso" ao candidato "Serra/Kassab" .
Gostaria de lembrar a todos que o candidato perfeito não existe infelizmente, mas não podemos apoiar de hipótese alguma o cara que literalmente "Cuspiu na cara de boa parte da  população" nesses últimos anos e bem sabem aqueles que nos acompanharam na Câmara que cuspir apenas foi pouco.
Por isso, nunca tivemos uma oportunidade tão próxima como essa de dar um chute no traseiro do Kassab, como poderemos nos próximos dias. 

Nos sentimos na obrigação de lembrar também , que tanto a bancada do PT em peso , como também Vereadores como Adilson Amadeu ,Aurélio Miguel, Celso Jatene , Tião Farias votaram a favor da população e não do prefeito Kassab e olha que cada um deles é de um partido diferente.

Lembro também que o candidato Haddad esteve em visita à nosso bairro, percorrendo o caminho da obra e se declarou contrário na época em relação a mudança do projeto em plenária realizada no bairro da americanópolis em discurso para centenas de pessoas, prometendo mudanças no projeto após discutir com a população , também declarou o mesmo na Folha de São Paulo.

Serra( a materialização de Kassab) por outro lado , já declarou em alto e bom som, que vai tocar tudo do jeitinho que Kassab preparou e vem com fúria pra cima de nós ( Água Espraiada é prioridade de governo) devido ao alto valor da obra.

Kassab é uma vergonha nacional, o maior exemplo da política suja , o representante da elite escravagista e dos grandes corruptores da política brasileira " As Empreiteiras e o Mercado Imobiliário" além da mídia Golpista em Geral ( Globo,Veja,Band,SBT, etc.).

O Maluf é acusado de desviar 200 milhões da Agua Espraiada. Só o túnel de Kassab já custa atualmente mais de 2 bilhões de reais!!! sim mais de 2 bilhões.!!!  

Boa parte desse desfalque nos cofres públicos além de diversas obras aprovadas esse ano pelos " 40 Homens de Kassab" na Câmara Municipal, propiciaram a criação de um dos mais infâmes partidos ja criados nesse país o PSD, que só nessa eleição ja levou mais de 400 eleições nas diversas cidades do País, se tornando um partido forte e perigoso para a nação, com alto poder de barganha e liderado pelo "ilustre " Kassab.

Por isso e muito mais é vital e óbvio como a própria rejeição a esses indivíduos demonstra, que precisamos ajudar a mudar essa situação começando por retirar esses indivíduos de lá,  para depois podermos cobrar daqueles que já se posicionaram mais a favor da população.

Contamos com a presença de todos.
Obrigado.



segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Todos contra Kassab e Serra!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Pessoal , agora é sério!!!

Precisamos nos organizar e ir para as ruas imediatamente para ajudar a eliminar essa pestilência de uma vez por toda de nossa cidade.

Temos pouco tempo , mas todos tem que fazer sua parte para tornarmos essa cidade mais justa , democrática , acabando com esse autoritarismo que reina hoje.

Vamos deixar ideologias de lado, em época de crise , precisamos lutar com todo tipo de armas possíveis .

O inimigo está aí novamente , Serra que abriu a "Caixa de Pandora " trazendo esse     "Demônio Chifrudo" que é o Kassab para essa cidade e quer novamente mais 4 ou 8 anos de Kassab para essa cidade.

Temos que dar um basta já !!!!!!!!!!!!

Acreditem é totalmente possível!!!

Mas todos tem que se unir.    

Não vamos perder tempo com esse teatrinho de mensalão!!!

Quantos mensalões e coisa muito  pior presenciamos na Câmara Municipal da base governista de Kassab.  

Lembrem-se essa mídia é Golpista em sua totalidade, esta totalmente com Serra e Kassab.
Quantas vezes fomos boicotados por eles , nas nossas passeatas.

Quem não viu a odiosa matéria paga da Veja elogiando o "Chifrudo" ?

Saibam que ele pagou meio milhão em contratos para a Veja.

São milhares e milhares de pessoas que estão na mira desses dois e eles são implacáveis na hora de passar por cima. Vejam o que aconteceu com o pessoal do Rodoanel por exemplo.

Ao menos 20 vagabundos da Câmara Municipal não conseguiram se reeleger, pena que  Tripoli, Dalton ,Milton Milk, ACR, Claudio Fonseca ,  Natalini e o ( Pólice veio na rabeira.) conseguiram .

Vamos para cima dele, vamos derrubá-lo.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Nota de agradecimento e um alerta para essa eleição 2012.

O Blog tragédia social Jabaquara, através desta postagem , gostaria de prestar os seguintes agradecimentos àqueles que nos ajudaram de alguma forma, durante esses dois anos de luta contra a ganância do setor imobiliário,encabeçada pelo "capacho do Secovi", "sua EXCRESCÊNCIA  Gilberto Kassab"  .

Dentre essas pessoas que nos ajudaram , gostaríamos de destacar os seguintes parlamentares que foram de alguma forma essenciais para a continuidade do movimento na busca de tentar fazer com que o poder público respeitasse a lei e os direitos básicos de cidadania , no caso da Operação Urbana Água Espraiada.

São eles:

- Vereador Antônio Donato ( candidato a reeleição pelo PT - 13700)
- Vereador Aurélio Miguel   (  candidato a reeleição pelo PR - 22800)
- Vereador Adilson Amadeu ( candidato a reeleição pelo PTB - 14200)







Além desses parlamentares da Câmara Municipal , gostaríamos de destacar também o Deputado Estadual e atual candidato a prefeito de São Paulo pelo PSOL , o Professor Carlos Giannazi - 50 , que foi um dos precursores desse movimento que nasceu na Vila Fachini , dando desde o início suporte através de seu mandato , na busca de informações das reais intenções do Executivo Municipal , bem como propiciando a discussão sobre o assunto nas diversas audiências públicas que ele realizou na Assembléia Legislativa.




Também gostaríamos de agradecer os amigos  José Luiz Nodar e Edwaldo Sarmento pela grande ajuda na manutenção do movimento e o amigo Marcelo Sampaio , hoje candidato a vereador pelo PSOL - 50505 , grande defensor aguerrido dos movimentos sociais , coerente e principalmente ficha limpa. 
Você pode conferir sua atuação no  blog abaixo :

http://www.marcelosampaio.blog.br/ 

Um dos vídeos de Marcelo Sampaio:




                                         ALERTA!!!


Quanto àqueles vereadores que você não deverá votar em hipótese alguma , pois são a base do governo KASSAB , não nos daremos ao trabalho de citar seus nomes, apenas confira no vídeo abaixo e divulgue de todas as formas possíveis para fazer uma verdadeira limpeza na Câmara Municipal.

Segue o vídeo:








domingo, 16 de setembro de 2012

Vereadores que votaram para expulsar você de sua casa


Em quem não votar esse ano

Muitas pessoas , assim como nós do movimento, nunca tínhamos pisado na Câmara dos Vereadores e ao menos sequer sabíamos qual a função deles. Quando chegava as eleições votávamos e no outro dia nem sabíamos o nome do cidadão. Somente agora com esse problemão que temos na mão descobrimos o quão importante é esse cargo.


Vereador : é um membro da Câmara Municipal que exerce seu cargo em favor de um município, o mandato dura 4 anos e o cargo enquadra-se no poder legislativo. Sua função é fiscalizar o trabalho do prefeito e os gastos ligados ao orçamento anual, sendo assim, é o representante do povo. 

Muitos deles são um peso morto , que não fazem absolutamente nada pela cidade, votam nem sabem se vai ou não prejudicar pessoas, o dinheiro fala mais alto,  ( ouvimos isso da boca de um certo Vereador quando fomos pedir ajuda).Usando as palavras do jornalista Boris Casoy é uma V-E-R-G-O-N-H-A;

Mas, esses legumes, só estão lá, por SUA causa, por que VOCÊ votou nele.

Com a convivência diária na Câmara temos a tranquilidade de apontar qual Vereador trabalha mesmo ou só fica brincando no celular, se é pau mandado do líder do partido ou se segue sua própria ideologia , se propõe alguma lei que preste que irá beneficiar a população ou somente o próprio bolso. E muitos desses Vereadores que votaram contra nós está tentando se reeleger esse ano.

Agora perguntamos: Vamos deixar isso acontecer?

Pedimos que nos ajude a divulgar o link acima que ele atinja o maior número de pessoas possíveis, pois, infelizmente, a maioria da população não sabe do nosso caso.

Vamos impedir que eles continuem mais 4 anos destruindo nossa cidade!!!






sábado, 15 de setembro de 2012

Túnel polêmico está na lista de promessas de vários candidatos

Túnel polêmico está na lista de promessas de vários candidatos


Leiam atentamente essa reportagem da Folha. Temos esse poder de decidir quem irá governar SP por 4 anos.

Estamos sofrendo na pele com uma péssima escolha que fizemos no passado, não vamos repetir o erro esse ano.

Olhos e ouvidos bem abertos !!!

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

CONVOCAÇÃO GERAL


CONVOCAÇÃO GERAL das pessoas de bem para o NÃO!!!  aos vereadores que entregaram,sem dó e nem piedade,o bairro do Jabaquara em mãos da brutal especulação imobiliária tramada pelo feroz Kassab,sob a batuta dos gananciosos do setor imobiliário,seguido por seus asseclas de plantão na Câmara Municipal de São Paulo.
 
É dever de todo eleitor da cidade de São Paulo,em especial,do eleitor do bairro do Jabaquara,participar desta luta, divulgando,seja através de conversa formal,panfletos,e-mail ou facebook e alertando a tantos quanto puder,sobre a desgraça causada pelos vereadores(ver lista abaixo),que agora,na maior cara de pau,pedem o seu voto como se nada tivesse acontecido.
 
ACONTECEU SIM ! ! ELES ENTREGARAM A CIDADE DE SÃO PAULO À SORTE DA BRUTAL ESPECULAÇÃO IMOBILIÁRIA, APROVANDO DEZENAS DE PROJETOS BILIONÁRIOS DE INTERESSE DAS MAIORES EMPREITEIRAS DO PAÍS , PERMITINDO ASSIM A CRIAÇÃO DE UM DOS MAIS INFAMES PARTIDOS DESSE PAÍS, O (PSD)!!!
 
Dentre tais projetos bilionários,destacam-se : 
 
- O túnel da Água Espraiada de Kassab,que custará mais de 2 bilhões e meio de reais,valor esse "Hiperfaturado" ,pagos com o dinheiro público,beneficiando uma dezena de Empreiteiras , as mesmas que financiaram a campanha do próprio Kassab;
 
- O Projeto Nova Luz , projeto bilionário que removerá o direito da propriedade particular, entregando nas mãos de empresas particulares a responsabilidade de determinar quem fica ou não em um determinado local, podendo este modelo de projeto  alastrar-se por todo o país;
 
- O modelo de troca de equipamentos públicos em áreas nobres para a iniciativa privada (Empreiteiras),com a promessa de construção de creches na periferia , o que na verdade permite o aumento de áreas a serem exploradas pelas Empreiteiras, em locais já saturados da cidade;
 
- O projeto que reduziu o percentual de áreas Zeis(zona especial de interesse social), aumentando assim a disponibilidade de áreas a serem exploradas pelas Empreiteiras para destinação de novos empreendimentos imobiliários de alto padrão;
 
-Além desses projetos bilionários, Kassab conseguiu também a aprovação de projetos, como por exemplo o "Controlar" , uma verdadeira "mina de dinheiro" , entregando o controle acionário a um dos seus principais financiadores de campanha eleitoral , a Camargo Corrêa" . Vale destacar que o próprio Ministério Público, moveu uma ação civil pública contra esse contrato.
 
NÃO DÊ O SEU VOTO PRA QUEM ENTREGOU ESSA CIDADE EM MÃOS DA FEROCÍSSIMA ESPECULAÇÃO IMOBILIÁRIA ! !
 
Pede-se ao eleitor que tem acesso à internet,que compartilhe essa mensagem em seu facebook,e-mails,redes sociais em geral,solicitando a seus contatos que façam o mesmo.
 
 
Relação completa dos vereadores que votaram pela desgraça de 60 mil pessoas(entre moradores formais e moradores das comunidades),optando por jogá-los no olho da rua em benefício do mercado especulativo imobiliário,caso do bairro do Jabaquara, além de todos os projetos mencionados acima.
 
1- Abou Anni
2-Adolfo Quintas
3-Agnaldo Timóteo
4-Aníbal de Freitas
5-Antônio C. Rodrigues
6-Antônio Goulart
7-Átila Russomano
8-Atílio Francisco
9-Aurélio Nomura
10-Carlos Apolinário
11-Cláudio Fonseca
12-Cláudio Prado
13-Claudinho de Souza
14-Dalton Silvano
15-Davi Soares
16-Domingos Dissei
17-Edir Sales
18-Floriano Pêsaro
19-Gilberto Natalini
20-Gilson Barreto
21-Jamil Murad
22-José Rolim
23-Juscelino Gadelha
24-Marco A. Cunha
25-Marta Costa
26-Milton Ferreira
27-Milton Leite
28-Netinho de Paula
29-Noemi Nonato
30-Paulo Frange
31-Pólice Neto
32-Quito Formiga
33-Ricardo Teixeira
34-Roberto Trípoli
35-Sandra Tadeu
36-Souza Santos
37-Toninho Paiva
38-Ushitaro Kamia
39-Wadih Mutran
 
Além deste 39 vereadores titulares,a desgraça de 60 mil pessoas,contou ainda com a colaboração dos seguintes vereadores substitutos :
 
40-Everson Marcos
41-Salomão Pereira
42-Vítor Kobayashi
 
E por fim, vale a pena lembrar também, que dentre os vereadores acima mencionados, 9  deles destacaram-se na defesa feroz dos interesses de Kassab na Câmara Municipal, muitas vezes inclusive ,discursando contra a população presente nas galerias da Câmara Municipal.
São eles : 
 
- Pólice Netto
- Dalton Silvano
- Roberto Trípoli
- Gilberto Natalini
- Cláudio Fonseca
- Agnaldo Timóteo
- Juscelino Gadelha
- Aurélio Nomura
- Floriano Pêsaro
 
Fica aqui o pedido mais uma vez:
 
 
Vamos limpar a Câmara Municipal desses "parasitas da sociedade" dizendo um grande  NÃO !!!!! a esses candidatos na hora de votar ! !

quarta-feira, 13 de junho de 2012

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Debate ao vivo na Gazeta Operação Agua Espraiada

Debate na Gazeta ao vivo


Mais uma vez a Prefeitura de São Paulo fugiu de confrontar os moradores , dessa vez num debate ao vivo , coisa que o movimento nunca conseguiu, lembrando do "bolo" que a Record deu nos moradores , quando a Prefeitura descobriu que eles iam fazer um link ao vivo também.



videoAgradecemos imensamente a TV Gazeta por essa oportunidade de mostrar só um pouquinho da verdade do que realmente se trata esse novo projeto do Prefeito Kassab.

Reparem que na carta da prefeitura lida pela apresentadora , a prefeitura foca apenas as 4000 moradias que ela pretende fazer , inclusive mente quando diz que o Cades deu a licença ambiental para a construção das moradias populares, visto que na ocasião da votação da licença ficou bem claro dito pelo próprio secretário do verde que para construir moradias a Prefeitura não precisa de licença ambiental ja poderia estar construindo se quisesse a muito tempo.  A licença ambiental que foi concedida aquele dia foi expressamente para o Túnel de 2 Bilhões de reais , que irá consumir todo o dinheiro que iria para as moradias populares.

A esperança atual , não apenas do problema da Agua Espraiada, mas de todos os problemas que o Prefeito Kassab ,( sucessor do ex-prefeito José Serra e apoiador do mesmo nessas eleições de 2012) criou na cidade , está na possibilidade de outro candidato a prefeito, que não esteja ligado a esses dois senhores, ganhar as eleições e a Cidade possa voltar a ter voz para negociar bons projetos para a cidade toda, voltados realmente para o social e que não fique privilegiando grandes construtoras que pagam a campanha desses tipos de políticos, para conseguir benefícios depois como é o caso dessa obra.

terça-feira, 15 de maio de 2012

Programa Revista da Cidade da TV Gazeta : Tema Operação Urbana Água Espraiada

Bom dia a todos, Nesta quarta 16/05, a partir das 10:00 horas, na TV Gazeta, irá ao ar o programa Revista da Cidade que abordará o tema da Operação Urbana Água Espraiada, conforme o link abaixo. http://revistadacidade.tvgazeta.com.br/ Entre no site e mande suas perguntas para a Prefeitura.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Matéria Rede Brasil de ontem

Idosos do Jabaquara, em São Paulo, sofrem com desapropriações para construção de túnel


Por: Suzana Vier, Rede Brasil Atual

Publicado em 09/04/2012, 10:45




São Paulo – O muro que separa a casa das vizinhas Laura e Elvira é o mesmo que as une. Laura, de 70 anos, sobe num banquinho para compartilhar com os amigos suas angústias, quase depressão, diante da desapropriação da casa que construiu há 40 anos com o marido, falecido há menos de um ano. “Me diz uma coisa: desapropriar mil e tantas casas para fazer um parque...? Não cabe na minha cabeça. A 'sorte' é que tomo antidepressivo e calmante", afirmou a idosa. O sobrado da aposentada está entre as 1.500 residências que serão retiradas no Jardim Jabaquara, bairro da zona sul da capital paulista, para a construção de um parque e de um túnel.

Quando Laura, do alto do muro e de seus cabelos branquinhos, fala da iniciativa do prefeito Gilberto Kassab (PSD) de mudar o projeto original da Operação Urbana Consorciada Água Espraiada, acrescentando obras que aumentarão o número de desapropriações, os lábios tremem e a voz se exalta. “Se estou preocupada? Já estou querendo ir morar no cemitério.”

Do outro lado, a pequenina Elvira, de 73 anos, confessa à vizinha: “Hoje, um pedacinho a mais de meu mundo acabou de cair... Vieram fotografar a casa. Agora eu creio que a avenida vai passar. Então vamos esperar para ver”. Os moradores dos bairros que serão atingidos pelo prolongamento da avenida Roberto Marinho e pela construção de um parque linear começaram a receber, no final de março, técnicos de uma empresa terceirizada que realiza levantamentos de benfeitorias nas residências que vão dar lugar às obras.

De acordo com a prefeitura de São Paulo, cerca de 1.500 casas regulares da região serão desapropriadas e demolidas para as obras. No cálculo dos moradores serão 2 mil desapropriações. Cerca de 7 mil moradias de diversas comunidades da região também serão removidas. O conjunto de obras faz parte da Operação Urbana Consorciada Água Espraiada, de iniciativa da prefeitura de São Paulo, e prevê a interligação da avenida Roberto Marinho com a rodovia dos Imigrantes, acesso para a Baixada Santista.

“Esta é a obra mais cara de São Paulo e vai impactar 50 mil pessoas", mensurou o integrante do Movimento Água Espraiada, Marcos Munarim. "Vai provocar uma das maiores desapropriações da história da capital paulista.” As remoções de moradores das comunidades também devem estar entre as maiores da história recente do município.


Acampados


Alberto Costa, um luso-brasileiro aposentado de 76 anos, é marido de Elvira. Ele e a esposa mudaram para a região em 1967 e depois de construir uma pequena edícula de dois cômodos, trabalharam todos os finais de semana, feriados e dias santos – faz questão de destacar –, durante três anos, para edificar a casa de dois quartos, sala ampla, cozinha e vários banheiros, além de garagem e muitas plantas nos corredores.
Durante os três anos de construção da casa principal, Alberto, Elvira e os dois filhos ainda pequenos dormiram no quartinho do fundo. Ao lado, na cozinha, em uma “caminha de abre e fecha”, dormia a mãe de Alberto, que precisava levantar cedo para poderem usar o fogão.

Depois de 25 anos como vendedor e cobrador no Instituto do Açúcar e do Álcool, em que tirava pedidos de até “60 clientes num dia”, a aposentadoria tem sido vivida à base de remédios: 13 comprimidos diariamente para tratar de problemas no coração, ácido úrico e pressão alta.

A filha Lúcia decidiu há 6 anos morar próxima aos pais para acompanhá-los na velhice e também terá a casa desapropriada. O pior mesmo, diz Alberto, é saber que no futuro não poderá ficar perto do neto com quem convive atualmente. “Nunca mais teremos condição de ter uma casa como essa. Minha filha também não. A casa dela tem piscina, salas diversas, quartos amplos... e fica perto da gente”, expressou.

Alberto e Elvira são a favor da continuação da avenida. “É necessário”, disseram. Só julgam que a prefeitura tem outras opções. Prova disto seria o projeto lançado em 2001, para a mesma área, que previa 500, em vez das duas mil desapropriações que constam no projeto atual. “Com tanta gente debaixo da ponte, eu não entendo por que o prefeito quer retirar 2 mil famílias que vivem bem, em geral idosos como a gente, para fazer um parque.”

O casal passou semanas "acampado" com outros moradores no interior da Câmara Municipal de São Paulo, acompanhando diariamente a tramitação do projeto de lei (PL 25/2001) que deu vida ao novo conjunto de obras defendidas pelo prefeito para a região. “Dentro do Direito inverteram tudo. Foi muita injustiça”, analisou. “Eu achei que seria até preso por nossas manifestações na Câmara. Depois saí daquele lugar passando mal.”

Após o embate na Casa Legislativa da capital paulista, frente a frente com vereadores, Alberto gostaria de inquirir pessoalmente o prefeito. “Vê se tem condição nessa idade, 76 anos, cheio de problemas de saúde... sair da minha casa, ir para onde?”, disse, resignado. “Só se for para a casa do nosso amigo Kassab”, responde. “Se ele ficasse no meu lugar, o que faria com minha idade? Ele acharia bom, ficaria satisfeito?”
Filha de Alberto também terá casa desapropriada (Foto: Jaílton Garcia)
Alberto também ironiza – “Ele poderia ter uma dor de barriga para mudar de ideia” – e brinca com o trocadilho corrente na cidade: “Com esse prefeito a gente nunca sabe”.



Futuro incerto

Laura, que sofre de "diabetes descompensadíssima", contou que sua velhice virou uma sucessão de frustrações. “Fiz tudo para que tendo mais idade, tivesse um pouco de tranquilidade. Botei piso (cerâmico, no chão) para não dar trabalho, armários embutidos na cozinha e nos quartos, piso na cozinha de granito natural. Paredes da sala todas revestidas de mármore”, descreveu.

Todo o cuidado que mantém com a casa fica em risco diante da incerteza sobre o que vem pela frente. “Eu não queria casa maior nem menor, só quero essa aqui que está ótima para mim. Eu gosto demais da minha casa. Se eu tivesse um trator eu colocaria a casa em cima para levá-la para outro terreno, mas nem terrenos têm mais por aqui”, contou. “Quando a gente é jovem, tem pique para andar atrás de imóvel. A essa altura da vida, é muito difícil.”

Também viúva, Marília, de 75 anos, há 40 no bairro, receia pelo futuro da família diante das desapropriações que ocorrerão na área. “A aposentadoria vai tudo em remédios – R$ 495 este mês – mais o convênio médico. Não sobra quase nada para pensar em mudar ou pagar por outra casa”, contou. “Construir essa casa foi a maior luta da minha vida. Foi em uma época em que uma das minhas filhas estava doente e nós ainda pagávamos apartamento e condomínio de onde morávamos antes.”

Ela cuida da filha de 39 anos, que sofre com convulsão há 20 anos e sente-se “desconsiderada pela prefeitura da cidade”. Com placa divulgando os futuros túnel e parque e tentativas da prefeitura de fazer vistoria nas casas, ela analisa que o "sistema nervoso está a flor da pele". “Dói demais essa história. Estamos sofrendo muito, é incalculável para quem está de fora”, disse. “É tocar no assunto e eu fico nervosa e começo a chorar.”

A dúvida de Marília sobre os dias à frente é a mesma de Alfredo: para onde ir? “Na zona norte estão mexendo. Agora a gente não tem segurança, não dá para saber em que locais o prefeito vai resolver intervir e até desapropriar a gente novamente.”

Para o aposentado Pedro Marquezine, de 82 anos, cuja casa também está na área de desapropriações, a tristeza mora no quintal. Além dos 52 anos no Jardim Jabaquara, a boa convivência com a vizinhança e as histórias vividas com a esposa e os três filhos, ele lamenta deixar para trás um quintal de frutas e flores que ele mesmo plantou. Primaveras, palmeiras, uma ameixeira e um pinheirinho, além de roseiras, são a paixão do idoso. “Há dois anos estamos batalhando com protestos, caminhadas e reuniões para evitar essa perda que todos nós teremos. Passar por isso aos 82 anos é algo que nunca imaginei e não desejo a ninguém.”

Mudança de planos

Moradores que participam do Movimento Água Espraiada defendem a interligação da avenida Roberto Marinho com a rodovia dos Imigrantes, mas, de acordo com o projeto inicial, previsto na Lei 13.260/2001, quando o conjunto de obras envolvia um túnel de 400 metros no final do curso do córrego Água Espraiada, com as novas pistas correndo ao lado do córrego.

Um parque linear de 130 mil metros seria criado contíguo à extensão da avenida e ao redor do córrego.
O projeto inicial foi alterado em 2009, e em 2011 o novo traçado foi aprovado pela Câmara Municipal de São Paulo. A nova concepção urbanística revoltou moradores e foi alvo de inúmeros protestos.

O projeto atual prevê o prolongamento da avenida Roberto Marinho até a rodovia dos Imigrantes via túnel de 2.350 metros, separado do parque de 600 mil metros. Cada uma dessas obras vai provocar um grande número de desapropriações.

O novo túnel será quase cinco vezes maior que o inicialmente previsto, quando a "obra fazia sentido e beneficiava cidade e moradores, em geral idosos", disse Munarim.

O custo inicial do túnel, que segundo Munarim já passou por licitação em 2009, seria de R$ 1,6 bilhão. Mas os moradores já calculam que parque e túnel chegarão a R$ 4,5 bilhões com as atualizações nos valores dos serviços de construção nos últimos três anos, desde o processo licitatório.

Matéria Rede Brasil Atual

Obra em São Paulo que vai desapropriar 50 mil no Jabaquara foi 'soco no estômago', diz morador


Por: Suzana Vier, Rede Brasil Atual

Publicado em 03/04/2012, 09:02





São Paulo – Morar em uma casa de quatro amplos quartos – um para cada integrante da família –, sala com vários ambientes, uma cozinha como aquelas de antigamente que, sozinha, é quase do tamanho dos apartamentos de hoje, além de escritório, terraço, churrasqueira, sala de jogos e lavanderia sempre foi o sonho da família do auditor fiscal Marconi Santos. Em 1994, o desejo se materializou com a aquisição do sobrado em que moram a 500 metros da avenida Roberto Marinho, nas ruas arborizadas e largas do Parque do Jabaquara, bairro da zona sul da capital paulista.

Depois de 16 anos no local, em 2010, a moradia virou motivo de intensa preocupação. O sonho começou a ruir quando chegaram as notícias de que milhares de casas regulares da região serão desapropriadas e demolidas para a construção de um túnel e um parque. Entre elas, a casa da família de Marconi. Moradias de diversas comunidades da região também serão removidas. O conjunto de obras faz parte da Operação Urbana Consorciada Água Espraiada, de iniciativa da prefeitura de São Paulo, e prevê a interligação da avenida Roberto Marinho (antiga Água Espraiada) com a rodovia dos Imigrantes, acesso para a Baixada Santista.

Dados da prefeitura divulgados na última audiência pública que tratou de mudanças no projeto inicial de 2001 para o atual, defendido pelo prefeito Gilberto Kassab (PSD), em outubro do ano passado, indicam que 7 mil famílias de comunidades serão removidas. Cerca de 1.500 residências regulares serão alvo de desapropriações. Ao todo, 8.500 famílias serão atingidas pelo projeto. Aos moradores das comunidades, a prefeitura prometeu realojamento em habitações novas que serão construídas. Enquanto as construções não ficam prontas, eles devem receber auxílio-aluguel de R$ 300.

Na avaliação de Marcos Munarim, integrante do Movimento Água Espraiada, as desapropriações de casas regulares devem chegar a 2 mil unidades. “Esta é a obra mais cara de São Paulo e vai atingir 50 mil pessoas", mensurou. "Vai provocar uma das maiores desapropriações da história da capital paulista.” As remoções de moradores das comunidades também devem estar entre as maiores da história recente do município.


Revolta


A casa do auditor fiscal Marconi foi comprada há 18 anos e depois ainda foram necessárias duas longas reformas, com a família no interior da casa, para deixá-la como desejavam. “Tudo aqui foi planejado e tudo tem uma história”, revelou, ao receber a reportagem em sua garagem para quatro carros, com paredes revestidas de mármore.

No quintal, o morador construiu um refúgio confortável e relaxante para estar com a família, com cadeiras suspensas de madeira e tecido, um altar em homenagem à Nossa Senhora da Medalha Milagrosa e um cantinho com hortelã, salsinha e cebolinha para uma alimentação mais caseira. "É um pouco do jeito do interior que recriamos na capital para viver melhor", disse.

Ele e a esposa reuniram os esforços de décadas de trabalho para viabilizar a aquisição. Na época da compra, em 1994, a família procurou uma casa especialmente confortável para a sogra idosa com problemas de locomoção. Durante 11 anos, ela viveu na casa, ao lado de três netos, filha e genro. “Desde o início essa casa teve um significado especial”, disse.

O motivo de orgulho da família corre sério risco agora. Na mesma sexta-feira (23/03), em que a reportagem foi à casa do auditor fiscal, ele recebeu funcionários da empresa terceirizada responsável pelo “levantamento de benfeitorias dos imóveis” que serão desapropriados. Mais tarde, informaram, virão agrimensores para medir as residências. Onde hoje é a casa da família, deve ficar o futuro “emboque” (entrada) do túnel.

Placas indicando o início da obra – túnel e parque – já foram colocadas no bairro, para desespero de quem mora na região. O canteiro de obras de uma das empresas responsáveis pela obra já está montado nas imediações da Vila Guarani, próximo à rodovia dos Imigrantes.

“Depois da visita das funcionárias da Thermag senti uma dor no peito. Foi o mesmo impacto de abril de 2010, quando eu soube de mudanças no projeto original dessa obra.”


Traição




Embora acompanhasse o desenrolar da Operação Urbana Água Espraiada desde o início, em 2001, Marconi só soube que sua casa seria alvo de desapropriação, devido aos novos traçados do túnel e do parque que foram separados em abril de 2010.

Na ocasião, um advogado especializado em defender moradores desapropriados por obras públicas deixou um folheto na casa de Marconi para oferecer o serviço. “Foi um soco no estômago. Me senti traído e feito de palhaço, um joguete”, lamentou. “A gente fica pensando: só sirvo para pagar imposto?”

Ele destaca que além da perda material, há os vínculos afetivos com a vizinhança. “Senti muita dor de estômago, tive um começo de depressão, mas também um espírito danado de luta”, disse. Já foram tantas manifestações contra o projeto que ele perdeu a conta. “Soprei vuvuzela em tantos lugares que não me recordo direito. Fizemos protestos, enviei e-mails para a grande mídia, mas eles não dão essas notícias.”

Entre os receios dos moradores está o de que a prefeitura pague as indenizações pelo valor venal dos imóveis, muito menor que o valor de mercado. “É muito difícil encontrar uma casa como esta em outro bairro. Tudo é muito caro em São Paulo. Se pagarem o valor venal, levando em conta a ultravalorização de imóveis, talvez nem quitinete seja possível comprar. Ir para onde? Não temos ideia do que fazer no futuro.”

Aos 64 anos, na iminência de perder sua casa e seu sonho e a poucos meses de aposentar-se, o auditor fiscal vasculha a internet duas vezes por dia, em busca de informações sobre “túnel”, “avenida Roberto Marinho”, “Água Espraiada” e “Kassab”. “É uma agonia perder a casa. Há dois anos estamos nessa incerteza, sem saber o que será de nosso futuro”, confessou. “Não nascemos em berço de ouro, foram necessários 25 anos de trabalho conjunto para ter essa casa.”


Desnecessária e ilegal




Na avaliação dos moradores, é importante terminar a avenida Roberto Marinho. O problema está na mudança do projeto, sem levar em conta a opinião da população do bairro, principalmente das milhares de pessoas que serão atingidas com o novo formato proposto pelo prefeito Gilberto Kassab. “Um túnel daquele tamanho, em que só passarão automóveis particulares, é desnecessário. Todos sabemos que os carros ocuparão todo e qualquer espaço criado a mais nas ruas. O túnel e essas obras não resolvem o problema, porque não se destinam ao transporte coletivo”, disse Marconi. Para ele, o prefeito deveria fazer grandes obras como os corredores de ônibus, mas não fez.

Durante o processo de consulta pública, os moradores reclamaram de falta de respostas e transparência da administração municipal. “Sempre que questionamos como seriam as desapropriações, os técnicos da Secretaria Municipal de Habitação (Sehab) responderam haverá residências para todos os removidos das comunidades. Mas não somos moradores da comunidade e ficamos até hoje sem saber o que pretendem em relação às milhares de casas regularizadas do bairro”, disse Munarim, do Movimento Água Espraiada.

Outro problema envolveu a tramitação do Projeto de Lei 25, de 2011, que alterou o projeto inicial da operação urbana, de 2001 e resultou na Lei 15.416. Segundo os moradores, o PL tramitou como alteração viária de obras que não existem ainda, quando, na verdade, tratava-se de alteração drástica do projeto, uma vez que parque e túnel foram separados, e o túnel saltou de 400 metros para 2.350 metros.

Também houve questionamento dos moradores sobre a autenticidade do Estudo de Impacto Ambiental (EIA/Rima) apresentado pela prefeitura. “O estudo é de um túnel anterior de 2009, não diz respeito ao projeto atual”, disse Munarim.

Cerca de 70% do túnel que prevê a interligação do bairro com a saída para a Baixada Santista também estaria fora do perímetro. Segundo Munarim, só a entrada e a saída do túnel estão dentro da operação urbana.

O morador avalia que a Câmara Municipal deu um “cheque em branco” para a prefeitura ao autorizar que o perímetro seja adaptado à obra. “Era essencial determinar até onde esse túnel pode chegar. Para isso, existe lei específica para cada operação urbana: para determinar onde ocorrerão as intervenções, onde serão vendidos os Cepacs (Certificados de Potencial Adicional de Construção (Cepacs) e onde eles serão usados.”

Mudança de planos

Mudança de planos

Moradores que participam do Movimento Água Espraiada defendem a interligação da avenida Roberto Marinho com a rodovia dos Imigrantes, mas, de acordo com o projeto inicial, previsto na Lei 13.260/2001, quando o conjunto de obras envolvia um túnel de 400 metros no final do curso do córrego Água Espraiada, com as novas pistas correndo ao lado do córrego.

Um parque linear de 130 mil metros seria criado contíguo à extensão da avenida e ao redor do córrego.

O projeto inicial foi alterado em 2009, e em 2011 o novo traçado foi aprovado pela Câmara Municipal de São Paulo. A nova concepção urbanística revoltou moradores e foi alvo de inúmeros protestos.

O projeto atual prevê o prolongamento da avenida Roberto Marinho até a rodovia dos Imigrantes via túnel de 2.350 metros, separado do parque de 600 mil metros. Cada uma dessas obras vai provocar um grande número de desapropriações.

O novo túnel será quase cinco vezes maior que o inicialmente previsto, quando a "obra fazia sentido e beneficiava cidade e moradores, em geral idosos", disse Munarim.

O custo inicial do túnel, que segundo Munarim já passou por licitação em 2009, seria de R$ 1,6 bilhão. Mas os moradores já calculam que parque e túnel chegarão a R$ 4,5 bilhões com as atualizações nos valores dos serviços de construção nos últimos três anos, desde o processo licitatório

Matéria Rede Brasil Atual

Morador ironiza campanha da prefeitura de São Paulo em protesto por desapropriações


Faixas com o slogan 'Milhares de desapropriações e desperdício do dinheiro público, antes não tinha, agora tem!' são fixadas em casas a serem desapropriadas no Jabaquara, na zona sul





São Paulo – Uma paródia da campanha publicitária da prefeitura de São Paulo “Antes não tinha, agora tem” foi adotada por moradores do Jabaquara, bairro da zona sul da capital paulista, para protestar contra obras que devem retirar cerca de 8.500 famílias do bairro. De acordo com Marcos Munarim, integrante do Movimento Água Espraiada, cerca de 2 mil casas serão desapropriadas e outras milhares serão removidas de comunidades da região para a construção de um parque linear e de um túnel. “É um protesto contra a propaganda enganosa do prefeito que está promovendo desapropriações em massa”, disse.

Faixas contendo o slogan “Milhares de desapropriações e desperdício do dinheiro público, antes não tinha, agora tem!” estão sendo fixadas desde o sábado (31) em residências que serão desapropriadas no bairro. O material que traz o prefeito Gilberto Kassab (PSD) estilizado, também cita “empreiteiras”, “especulação imobiliária” e a nota 10 que o prefeito concedeu a si mesmo como administrador da cidade.

Os moradores protestam contra a alteração no conjunto de obras da Operação Urbana Consorciada Água Espraiada. Projeto de 2001, aprovado pelos moradores, previa 500 desapropriações para interligar a avenida Roberto Marinho (antiga Água Espraiada) à rodovia dos Imigrantes, acesso para a Baixada Santista. A nova via seria construída ao lado do córrego Água Espraiada com um túnel de 400 metros ao final para conectar a avenida com o acesso ao litoral paulista. “A obra beneficiava a cidade, era barata e não prejudicava os moradores”, afirmou o morador.

Uma mudança no projeto apresentada por Kassab em 2009 foi aprovada pela Câmara Municipal de São Paulo, em 2011, e levou a mudanças na obra como aumento em quase cinco vezes no tamanho do túnel, que ficará com 2.350 metros e vai correr desconectado do parque linear, que passou de 130 mil metros para 600 mil metros.

As alterações aumentaram o contingente de desapropriações e o valor da obra. Segundo Munarim, o número de pessoas removidas de comunidades e desapropriadas nos bairros regulares pode chegar a 50 mil. “Esta é a obra mais cara de São Paulo.”

Desperdício


Os moradores movem três ações contra a Lei 15.416/2011, que traz as alterações no traçado do túnel. “Apresentamos duas ações diretas de inconstitucionalidade (ADIs) e uma ação civil pública”, disse Munarim. As interpelações judiciais questionam a falta de limites para o perímetro do túnel que estaria 70% fora da operação urbana e a legitimidade da licença ambiental.

De acordo com Munarim, o custo inicial do túnel seria de R$ 1,6 bilhão. Mas os moradores já calculam que parque e túnel chegarão a R$ 4,5 bilhões com as atualizações nos valores dos serviços de construção nos últimos três anos, desde o processo licitatório.

terça-feira, 27 de março de 2012

São Paulo: operações urbanas são frentes de expansão do mercado imobiliário

Pesquisadora do Laboratório de Habitação da Faculdade de Arquitetura da USP, Mariana Fix diz que a expansão do mercado entra em contradição com o direito à moradia, uma marca das operações urbanas na capital paulista

Por: Suzana Vier, Rede Brasil Atual


São Paulo – O mercado imobiliário é o grande beneficiário das operações urbanas promovidas pela prefeitura de São Paulo. Embora a aplicação desses instrumentos urbanísticos seja justificada pela necessidade de reassentar famílias carentes, principalmente em áreas de risco, na prática, tornaram-se ferramentas de valorização da terra que beneficiam o mercado imobiliário, afirma Mariana Fix, pesquisadora do Laboratório de Habitação e Assentamentos Humanos da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU/USP). A especialista também é autora dos livros “Parceiros da exclusão” e “São Paulo cidade global”.

A alta de preços de imóveis em todo o Brasil, especialmente em capitais como Rio e São Paulo, apesar de lembrarem a bolha imobiliária norte-americana não são, de acordo com a especialista, sinais do fenômeno no país. No entanto, a majoração dos valores demonstra a expansão do mercado imobiliário que “entra em contradição com o direito à moradia”.

Na opinião de Mariana, as ações do governo de São Paulo ao investir em operações urbanas em várias partes da cidade e utilizar a concessão urbanística na região da Luz, que vai levar à privatização de 45 quadras do bairro, são expressões do fortalecimento de agentes do mercado imobiliário.

A pesquisadora participou esta semana do lançamento do livro “O enigma do capital e as crises do capitalismo”, do geógrafo britânico David Harvey, na capital paulista, quando concedeu entrevista à Rede Brasil Atual. Confira a entrevista na íntegra:

Você percebe aumento dos nexos entre capital financeiro, imobiliário e as operações urbanas em andamento em São Paulo?

A crise se manifesta de acordo como esses nexos se estabelecem. A operação urbana não necessariamente tem a ver com financeirização. Na operação urbana Água Espraiada foi lançado um mecanismo jurídico de parceria público-privada (PPP) em uma época em que se alegava sem recursos para resolver carências urbanas. Esse era o discurso da crise fiscal do estado. O modelo faz parte da ideologia da PPP. O que houve de fato na operação urbana foi injeção brutal de recursos concentrados naquela região da cidade e o que o instrumento fez foi justificar intervenções que não eram prioritárias dizendo que ia ter custo zero. Assim uma série de obras desnecessárias foi feita. Por conta dessa associação com empreiteiras, o prefeito Paulo Maluf foi condenado. Tudo isso encoberto pela fumaça da modernização que tinha por trás da PPP. As duas principais operações urbanas – Faria Lima e Água Espraiada - representam frentes de expansão do capital imobiliário. A avenida Luís Carlos Berrini foi anterior e já tinha sido aberta. Existia disputa sobre novas frentes de expansão. A operação urbana define trecho do território em que vão ser concentrados esforços e onde vai ser gerado maior diferencial de renda e depois vai ser capturado pelos agentes imobiliários.

Como fica a população de baixa renda?

Nesses dois casos, não foi só a população de baixa renda, mas a população toda que foi deslocada. Houve tentativas de resistência mas elas foram derrotadas por essa coalização público-privada, o que alguns sociólogos chamam de teoria da growth machine – máquina imobiliária de crescimento. É uma coalização que consegue impor seu projeto sobre uma região ou a cidade toda.

O Brasil vive uma situação parecida com a norte-americana quando explodiu a bolha imobiliária?

É diferente a maneira como opera no Brasil. O processo americano acontece com base num sistema de hipotecas que foi feito nos anos 1930. Quando a financeirização incide nos anos 1980, nos EUA, incide sobre esse sistema. Ele vai transformar em ativo financeiro essa base que já havia sido constituída de inúmeras hipotecas que foram feitas ao longo desses anos. No Brasil, quando a financeirização incide é sobre um sistema que estava absolutamente desarticulado, pós-crise do Banco Nacional de Habitação (BNH) e tudo mais. Ele não consegue fazer aqui os mesmos caminhos feitos lá. Tentou. O caminho diferentemente foi a injeção de fundo público, de várias maneiras, entre elas o programa Minha Casa, Minha Vida.

O Brasil vive agora o processo que o geógrafo britânico David Harvey citou várias vezes, em sua palestra, de construir casas e enchê-las de coisas, de eletrodomésticos e eletrônicos?

O programa Minha Casa, Minha Vida foi anunciado como uma política anticíclica como se pudesse justamente movimentar a economia pela construção de moradia e venda de equipamentos. Ao meu ver, não é uma política anticíclica.

Como proteger a população mais carente?

O preço da terra está subindo muito. O que acontece é uma política quantitativista de produção habitacional, em que se anuncia um milhão depois mais um milhão de moradias, mas não tem uma política fundiária. E é diferente de outros produtos que ao produzir mais, o preço cai. Na moradia ocorre muitas vezes o contrário, se se produz mais, gera uma pressão especulativa sobre a terra e gera uma disputa das empresas sobre a terra e gera um processo de elevação do preço e dificuldade maior. Em vez de de democratização de acesso à terra, vem a pressão do mercado para elevar a faixa de venda que é atendida pelo programa. Embora o objetivo declarado seja atender população de mais baixa renda.

Há alternativas?

Há experiência grande de luta no Brasil em torno da reforma urbana e do direito à cidade. Com movimentos sociais com reivindicação muito claras. Mas essa perspectiva foi derrotada, deixada de lado, inclusive no Minha Casa, Minha Vida. Que age de maneira a resolver o problema do capital, de acumulação, encontrar novas formas de expansão.

O Jardim Edith, na zona sul de São Paulo, é um exemplo de como a comunidade pode se organizar?

De um lado é uma vitória, é inegável. Se não fosse a luta dos moradores de lá, nem aquilo seria feito. Às vezes, é apresentado do ponto de vista do marketing pela prefeitura como um projeto feito com qualidade, mas é preciso lembrar que essa população estava sendo expulsa e a prefeitura foi obrigada a assinar TAC quando a Defensoria Pública junto com os movimentos entraram com ações jurídicas. Se você olhar que aquela quantidade de habitações é insignificante, do ponto de vista do total de pessoas expulsas lá, é uma derrota. Se você olhar que foram expulsas mais de 50 mil pessoas e estão sendo entregues algumas unidades habitacionais... Se comparar o que foi gasto na ponte estaiada Octavio Frias de Oliveira (conhecida como estilingão)... A ponte é expressão desse roubo, dessa captura de fundos públicos, porque quando a operação urbana foi feita a justificativa dela era resolver os problemas daqueles 50 núcleos de favelas que existiam naquela região. Isso foi usado para fazer mudanças na legislação de zoneamento que não permitia (a operação urbana) e depois a ponte foi inserida entre as melhorias. O próximo passo foi pensar – temos duas obras importantes – habitação social e a ponte estaiada. Então a questão é definir qual vem primeiro e definiu-se que a prioridade era a ponte. Com isso, durante todos esses anos, ela está lá, foi inaugurada, virou cartão postal da cidade e a população depois de retirada, continua morando em outros lugares e continuaria morando se não tivesse lutado. Existia na região uma série de núcleos, terrenos em que seria possível dar conta do que as operações urbanas prometiam que era todas as pessoas que moravam ali permanecerem dentro da operação. Na prática, o que acontecia é que o mapa da Zeis (Zona Especial de Interesse Social) era constantemente alterado, era apagado de maneira que a operação urbana funcione como ela é: tendo como motor a lógica da valorização imobiliária que entra em contradição com o direito à moradia.

Qual sua avaliação da política habitacional da capital paulista?

É um paradoxo, porque se anuncia, se divulga como política inovadora que promove projetos de excelência, e a gente vê que são projetos de exceção. A gente vê que ao mesmo tempo está promovendo deslocamento, expulsões e tem inúmeros exemplos aí de desrespeito ao direito à moradia, como foi o caso da favela do Sapo, do Jardim Edith e de todas as outras na expansão do Jabaquara. Os projetos habitacionais ali teriam de ter começado muito antes dos projetos de túnel e obras viárias.

A prefeitura justifica seus projetos pela questão social, mas o pano de fundo são os interesses imobiliários?

A Nova Luz é um exemplo disso. Se a questão fosse enfrentar os problemas que precisam ser enfrentados, se começaria de um jeito totalmente diferente, como se tentou outras vezes, com processos de transformação com quem mora lá. O que tenta se impor lá é pior que o modelo da operação urbana, é a concessão urbanística. Ela exacerba os mecanismos privatizantes da operação urbana. Concede a um agente privado o direito de explorar uma determinada região da cidade. É a mesma lógica de um negócio. Vai explorar e vai ser remunerado com os ganhos que ela auferir nessa operação. Ela transforma um programa social e político num grande negócio. Até agora não conseguiu! Mas tenta fazer isso.